Deputada federal Gorete Pereira, do MDB, é apontada pela PF como articuladora política do esquema de desvio de benefícios do INSS
17/03/2026
(Foto: Reprodução) PF faz nova operação contra descontos ilegais do INSS
A Polícia Federal fez uma nova operação contra descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Um dos alvos foi a deputada federal Gorete Pereira, do MDB do Ceará. Ela é suspeita de ser a articuladora política de um esquema criminoso no estado.
Foram duas prisões e 19 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Ceará. Os agentes apreenderam mais de R$ 237 mil em dinheiro, carros, bolsas de luxo e joias. A operação é um desdobramento das investigações sobre fraudes no INSS. Desde 2025, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União apuram um esquema criminoso de descontos ilegais em aposentadorias e pensões de milhões de segurados, que ocorreram desde 2019 e podem passar de R$ 6 bilhões.
Nessa nova etapa, a Polícia Federal descobriu que o esquema foi reproduzido por quatro associações no Ceará. Um dos alvos da operação foi a deputada federal Gorete Pereira, do MDB. A PF chegou a pedir a prisão da parlamentar, mas o ministro André Mendonça, do STF, determinou que ela seja monitorada por tornozeleira eletrônica.
Segundo a decisão, Gorete Pereira era integrante relevante do grupo criminoso, com atuação na articulação política e operacional das associações fraudulentas. A PF afirmou que a deputada atuava para firmar acordos com o INSS que permitiam os descontos; influenciava servidores públicos para acelerar procedimentos; mantinha comunicação direta com agentes públicos e intermediava pagamentos; realizava repasses financeiros indevidos e movimentações suspeitas.
Deputada federal Gorete Pereira, do MDB, é apontada pela PF como articuladora política do esquema de desvio de benefícios do INSS
Jornal Nacional/ Reprodução
O ministro André Mendonça destacou que a polícia encontrou comprovantes de transferência de valores expressivos para a conta da deputada oriundos da empresa de fachada ligada ao esquema criminoso, como documentos de compra e venda de um imóvel de mais de R$ 4 milhões, em parcelas pagas por Gorete e por essa empresa.
A advogada Cecília Rodrigues Mota foi presa. Ela é acusada de ser uma das articuladoras centrais da organização criminosa. Em uma das conversas, a advogada mostrou interesse em comprar um jatinho:
“Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. Vambora entrar na fila?”.
Natjo é o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado pela PF como chefe e administrador financeiro da organização criminosa. Ele também foi preso. Em uma conversa, o empresário diz à deputada Gorete Pereira por que o grupo usava o escritório de advocacia de Cecília para repassar o dinheiro desviado:
“Deputada, é porque a Cecília é escritório de advocacia. Escritório de advocacia, eu acho mais legítimo, tem mais... Não é, no palavreado, mas tem moral para mandar o dinheiro, entendeu? Do que mandar da associação para a senhora. Não é melhor? O escritório de advocacia está passando para a senhora, então eu estou preservando as coisas”.
Em seguida, a deputada responde:
“Então, meu filho, você é que sabe”.
Agora, a investigação quer desvendar se há um elo entre os descontos indevidos no Ceará e a cúpula de funcionários públicos que estavam no INSS quando as fraudes ocorreram. Há elementos na investigação que apontam pagamentos ao ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, que está preso desde 2025. No período compreendido entre abril de 2024 a janeiro de 2025, foram repassados pelos investigados ao então presidente do INSS cerca de R$ 4 milhões.
A deputada Gorete Pereira disse que não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos.
A defesa de Natjo Pinheiro afirmou que vai pedir a revogação da prisão preventiva do empresário.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com a advogada Cecília Rodrigues Mota.
O Jornal Nacional não teve retorno do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
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